Vestimentas dos Emiradenses*: história, cultura & significado por trás das roupas tradicionais dos Emirados Árabes Unidos
Quem visita os Emirados Árabes Unidos pela primeira vez percebe rapidamente algo que chama a atenção.

Em escritórios, aeroportos, restaurantes, shopping centers & edifícios governamentais, muitos homens emiradenses vestem uma longa túnica geralmente branca, impecavelmente passada. Ao lado deles, mulheres usam abayas que, vistas de longe, podem parecer semelhantes, mas que revelam diferenças de tecido, corte, bordado & acabamento quando observadas com mais atenção.
Para quem chega de fora, é fácil resumir tudo isso a duas palavras: “roupa árabe”.
Mas basta olhar um pouco melhor para perceber que há muito mais acontecendo.
A kandura, a ghutra, o agal, o tarboosh, a abaya, a shayla, o burqa’a & os vestidos coloridos usados pelas mulheres não formam simplesmente um código de vestimenta. Eles carregam histórias de deserto & mar, de comércio com a Índia, de técnicas transmitidas entre gerações, de modéstia, de transformação econômica &, mais recentemente, de identidade nacional.
& surge então uma pergunta interessante:
Por que essas roupas continuam tão presentes em um país que se modernizou de forma tão rápida?
A resposta talvez seja justamente essa: elas não permaneceram apesar da modernização dos Emirados. Em muitos sentidos, passaram a ter ainda mais importância dentro dela.
* Uma nota sobre o termo “emiradense”
Ao longo deste artigo, você verá que utilizo o gentílico emiradense para me referir aos cidadãos dos Emirados Árabes Unidos, em vez de “Emirati” ou “emirático”. Esta é uma escolha editorial pessoal baseada na terminologia que adoto como referência em português nas comunicações institucionais relacionadas aos Emirados Árabes Unidos. Fontes oficiais dos próprios Emirados Árabes Unidos em português utilizam expressões como “cidadãos emiradenses”, “empresas emiradenses” & “cultura emiradense”.
Existem outras formas encontradas em português &, em inglês, o termo Emirati é amplamente utilizado. Entretanto, como este conteúdo da JGF TOURS é produzido especialmente para o público de língua portuguesa, optei por manter emiradense de maneira consistente. Assim, quando você encontrar neste artigo expressões como homem emiradense, mulher emiradense, cultura emiradense ou vestimenta emiradense, estamos falando especificamente das pessoas & da cultura dos Emirados Árabes Unidos.
Antes de existir um país chamado Emirados Árabes Unidos
Antes da formação da federação, em 1971, as comunidades que habitavam o território atual dos Emirados viviam realidades bastante diferentes.
Havia populações beduínas que circulavam pelo interior, agricultores nos oásis, pescadores nas regiões costeiras, mergulhadores de pérolas, marinheiros & comerciantes ligados aos pequenos portos do Golfo.
As roupas precisavam responder a esse ambiente.
Tecidos leves ajudavam na ventilação. Roupas longas protegiam a pele do sol. A cobertura da cabeça oferecia proteção contra calor, vento & areia. Mas reduzir a vestimenta tradicional ao clima seria simplificar demais sua história.
A maneira de vestir também refletia modéstia, religião, pertencimento social, disponibilidade econômica & acesso a tecidos.
& muitos desses tecidos viajavam.
Durante séculos, dhows transportaram mercadorias entre esta costa, a Índia, a Pérsia & outras regiões do Oceano Índico. Tecidos & especiarias chegavam ao Golfo enquanto pérolas & outros produtos seguiam na direção oposta. Até materiais usados na fabricação do tradicional burqa’a feminino eram importados da Índia.
A roupa emirática, portanto, nunca se desenvolveu isoladamente.
Ela nasceu em uma sociedade local profundamente conectada ao mundo.
A vestimenta masculina emiradense
Kandura: a túnica que se tornou símbolo nacional
KANDURA: túnica masculina longa, normalmente chegando aos tornozelos, usada tradicionalmente pelos homens emiradenses.
O branco é hoje sua cor mais reconhecível, especialmente durante os meses mais quentes. Tecidos claros absorvem menos radiação solar & criam também uma aparência visual associada à limpeza & à formalidade.
O estilo de kandura dos Emirados é minimalista, sem bordados.
Mas imaginar que a kandura emiradense sempre foi exatamente como a vemos hoje seria um erro.
Fotografias antigas mostram cortes, tecidos & acabamentos diferentes. Até meados do século XX, era comum que roupas fossem confeccionadas em casa.
Com a expansão das alfaiatarias nas décadas de 1950 & 1960, novos tecidos & estilos começaram a aparecer.
Misturas de algodão & poliéster tornaram-se mais comuns nas décadas seguintes, & a própria forma como a kandura era passada, cortada & ajustada ao corpo continuou evoluindo.
No inverno, também é possível encontrar kanduras em cinza, azul, bege, marrom & outras tonalidades mais escuras, geralmente confeccionadas com tecidos um pouco mais pesados.
& há detalhes capazes de identificar uma kandura emiradense para olhos experientes.
Kandura, dishdasha ou thobe?
Nos Emirados Árabes Unidos, o termo kandura é o mais comum para designar a túnica masculina longa tradicional.
Porém, você também poderá encontrar a palavra dishdasha (ou variações de grafia como dishdasha & dishdash) para se referir a uma peça semelhante, especialmente em outros países do Golfo.

Os termos variam conforme o país & a tradição local.
Nos Emirados, kandura é a denominação mais associada à vestimenta masculina nacional, enquanto dishdasha é muito comum em outros contextos da Península Arábica, como Oman & Kuwait.
A dishdasha assemelha-se à kandura, mas frequentemente apresenta diferenças regionais sutis, como bordados ou variações no design da gola.
Em Omã, também conta com uma borla decorativa, muitas vezes perfumada.
Já na Arábia Saudita & no Catar, a vestimenta masculina é chamada de thobe & apresenta diversos estilos, dependendo do país, com variações nos punhos, nas golas & no corte. É uma peça mais estruturada em comparação com a kandura.

Por isso, ao longo deste artigo, utilizo preferencialmente kandura quando me refiro à vestimenta masculina emiradense, mas é útil saber que um visitante poderá ouvir também a palavra dishdasha ou thobe durante uma viagem pela região.
Uma das características mais reconhecíveis da kandura é a ausência da gola alta encontrada em algumas roupas masculinas de outros países do Golfo.
No peito surge outro detalhe particular: o TARBOOSH.
Tarboosh ou Tarbousha: a “gravata” da kandura emiradense
Tarboosh, também chamado tarbousha em algumas transliterações, é o pendente ou cordão têxtil que desce a partir da abertura frontal do pescoço da kandura.
Para um brasileiro que o vê pela primeira vez, ele pode lembrar uma pequena gravata feita do próprio tecido.
É um detalhe aparentemente simples, mas tornou-se uma das marcas visuais da kandura emiradense.
Registros fotográficos demonstram que o tarboosh já existia há muitas décadas.
Nas imagens dos anos 1940 ele aparece mais curto & frequentemente torcido.
Com o passar do tempo, tornou-se mais comprido & reto; hoje pode descer bastante pelo peito.
O crescimento desse elemento acompanhou sua transformação em um marcador visual que ajuda a distinguir a kandura emiradesne de outros estilos do Golfo.
& existe ainda uma dimensão sensorial.
Tradicionalmente, o tarboosh também foi associado ao perfume.
Uma instalação apresentada durante a Dubai Design Week descreveu o objeto como um elemento originalmente usado para difundir perfume na roupa, tradição que hoje inspira inclusive produtos contemporâneos relacionados à perfumaria.
Ghutra: proteção que também comunica identidade
GHUTRA: lenço masculino utilizado sobre a cabeça.
Sua função prática é antiga: proteger cabeça & rosto do sol, vento & areia.
Nos Emirados Árabes Unidos, a ghutra branca & leve tornou-se especialmente associada ao traje nacional.
Também é possível encontrar versões quadriculadas, embora estilos & preferências variem.
& até a maneira de dobrá-la comunica alguma coisa.

Há formas mais estruturadas, mais soltas & mais informais de posicionar o tecido.
Estudos & observadores da cultura local chegam a identificar diferenças entre estilos de diferentes emirados.
Isso explica por que aquilo que parece simplesmente “um lenço branco” para o turista pode revelar, para quem conhece os códigos locais, idade, ocasião, preferência pessoal & até referências regionais.
Ghutra, shemagh ou keffiyeh?
Agal: o cordão que mantém a ghutra no lugar
AGAL: cordão preto colocado sobre a ghutra para mantê-la posicionada.
Hoje faz parte da imagem formal clássica do homem emiradense.
O agal era usado para amarrar as pernas dos camelos?
O agal, tradicional cordão usado para prender a ghutra ou o keffiyeh à cabeça, possui uma história mais interessante do que pode parecer.
A afirmação de que os beduínos também o utilizavam para amarrar ou restringir as pernas dos camelos não é simplesmente folclore: há registros linguísticos, históricos & patrimoniais que sustentam esse uso.
O próprio termo árabe ʿiqāl está relacionado à ideia de atar ou conter.
No entanto, não há evidência suficiente para afirmar categoricamente que o agal foi originalmente criado como uma amarra para camelos & só depois transformado em acessório de cabeça.
O mais provável é que o objeto tenha desempenhado diferentes funções práticas ao longo do tempo, enquanto o uso de cordões semelhantes na cabeça possui raízes muito antigas no Oriente Próximo.
Assim, a famosa história do agal & do camelo tem, sim, um fundo histórico real, mas a ideia de que essa foi necessariamente sua origem é melhor entendida como uma tradição cuja cronologia exata permanece incerta.
No contexto contemporâneo, sua função é simples & clara: manter a ghutra no lugar & completar a apresentação tradicional masculina.
Gahfiya — o elemento quase invisível
GAHFIYA: pequeno gorro usado sob a ghutra.
É uma peça que o turista muitas vezes nem percebe.
Ajuda a estabilizar o tecido sobre a cabeça & proporciona maior conforto. Em situações mais informais, pode aparecer sem a ghutra, mas em contextos profissionais & formais a combinação ghutra & agal continua sendo uma referência importante.
Bisht — quando a roupa ganha solenidade
BISHT: manto masculino longo usado sobre a kandura.
Não é uma roupa cotidiana comum.
Ele aparece principalmente em casamentos, cerimônias, celebrações religiosas, eventos oficiais & ocasiões de grande formalidade.
O bisht é aberto na frente & pode apresentar bordados decorativos de zari, tradicionalmente em fios dourados ou prateados. Historicamente, podia ser tecido com lã de ovelha ou pelo de camelo; versões leves eram adequadas ao verão & outras mais pesadas ao inverno.
No contexto emiradense, está associado a dignidade, elegância & solenidade.
Portanto, quando você vê um homem vestindo uma kandura branca & acrescentando sobre ela um bisht com acabamento dourado, provavelmente não está diante de uma escolha casual de guarda-roupa.
A ocasião está dizendo alguma coisa.
A vestimenta feminina: muito além de uma abaya preta
Se existe um estereótipo que este artigo precisa desfazer, é a ideia de que a roupa tradicional feminina emiradense sempre se resumiu ao preto.
Historicamente, aconteceu quase o contrário.
Por trás (& antes) da abaya moderna existe um universo de vermelhos, verdes, azuis, dourados, sedas, bordados, sobreposições & combinações de tecidos.

Abaya — uma peça que também mudou com o país
ABAYA: manto feminino amplo usado sobre outras roupas.
Hoje ela é imediatamente associada à vestimenta feminina dos Emirados, normalmente combinada com a shayla.
Mas sua história local é mais recente & complexa do que muitos imaginam.
Segundo a pesquisadora de vestimentas árabes Reem Tariq El Mutwalli, a abaya preta de corpo inteiro era relativamente rara entre mulheres comuns nos Emirados algumas décadas antes do boom do petróleo.
Era uma peça cara, associada inicialmente às elites & ocasionalmente emprestada para momentos especiais, como casamentos.
Com o aumento da riqueza, urbanização & transformação social, seu uso se disseminou.
As primeiras versões eram frequentemente colocadas sobre a cabeça, & não simplesmente apoiadas nos ombros como muitas abayas atuais.
Na década de 1980, mudanças na vida cotidiana (inclusive maior participação feminina na educação & no trabalho) favoreceram modelos com mangas & cortes mais práticos.
Nas décadas seguintes, bordados, cristais, tecidos diferenciados & novas construções transformaram a abaya em uma peça capaz de expressar gosto pessoal & moda.
Portanto, duas abayas pretas podem parecer iguais de longe.
De perto, podem não ter quase nada em comum.
Leia: https://thezay.org/colour-in-uae-dress
Leia também: https://www.voguearabia.com/article/the-zay-initiative-preserving-arab-heritage-one-thobe-at-a-time
Para seu conhecimento: https://onyxabaya.com/the-history-of-abaya-its-origin-and-evolution/
& também: https://stg.thezay.org/uae-abaya/
Shayla — o lenço feminino
SHAYLA: lenço utilizado pelas mulheres para cobrir os cabelos.

Pode variar bastante em tamanho, tecido, transparência, acabamento & maneira de ser colocado.
Historicamente, algumas shaylas eram maiores & podiam cobrir grande parte da parte superior do corpo.
Com a evolução da abaya, versões mais estreitas & leves tornaram-se comuns.
Hoje ela também permite expressão pessoal através de tecidos, drapeados & estilos diferentes.
Burqa’a — a tradicional máscara facial feminina emiradense
BURQA’A: máscara facial tradicional feminina dos Emirados.
Em outras partes do Golfo, você também poderá encontrar transliterações ou nomes relacionados como battoulah.
É essencial esclarecer uma coisa:
o burqa’a emiradense não é o mesmo “burqa” associado ao Afeganistão.
Nos Emirados, trata-se de uma peça colocada diretamente sobre partes do rosto, com aberturas para os olhos.
Sua aparência pode parecer metálica ou dourada, mas o efeito vem de um tecido especial.
Segundo o Departmento de Cultura & Turismo de Abu Dhabi, o revestimento conhecido como al sheel era tradicionalmente importado da Índia & existia em diferentes qualidades & cores.
Pequenos elementos de madeira ou bambu ajudavam a estruturar a região sobre o nariz.
O burqa’a também podia ter significado social.
Tradicionalmente estava especialmente associado a mulheres casadas &, no passado, era maior, cobrindo mais partes do rosto.
Hoje é visto com maior frequência entre mulheres mais velhas ou em contextos culturais & festivos.
Kandura feminina, Thawb & Sirwal: as cores que existiam por baixo
Aqui aparece uma das partes mais bonitas da história da roupa feminina emiradense.
KANDURA FEMININA: vestido ou túnica longa usada como parte principal do conjunto tradicional.
THAWB: peça ampla & leve usada sobre a kandura, muitas vezes confeccionada em tecidos transparentes ou semitransparentes & ricamente decorada.
SIRWAL: calça ampla usada como roupa inferior, frequentemente com ornamentação nos tornozelos.
Antes dos anos 1980, era comum a mulher combinar thawb & kandura em cores & tecidos contrastantes.
Posteriormente surgiram conjuntos coordenados &, nas décadas seguintes, as duas peças começaram inclusive a ser unidas na região do pescoço, formando o chamado thawb-kandura.
Em casamentos tradicionais de Abu Dhabi aparecem ainda termos como mukhawwar ou mukhawir, associados a vestidos ricamente bordados, além de diferentes tipos de kandura, thawb & calças abu badla.
O termo jalabiya também é amplamente utilizado hoje para vestidos largos & coloridos usados em casa, reuniões familiares ou determinadas ocasiões sociais, mas é importante não transformar todos esses nomes históricos em sinônimos.
As peças tradicionais possuíam construções, funções & contextos próprios.

Talli — quando um bordado se transforma em patrimônio cultural
TALLI: técnica tradicional emirática de trançado & ornamentação utilizada principalmente em roupas femininas.
Fios coloridos são combinados com fios ou tiras metálicas para formar faixas decorativas aplicadas em golas, mangas, punhos & barras.
Historicamente eram utilizados fios de prata ou ouro verdadeiro; hoje materiais sintéticos substituem frequentemente os metais preciosos.
A técnica era transmitida sobretudo de mãe para filha & possuía também um importante aspecto social: mulheres se reuniam para trabalhar, conversar & compartilhar conhecimentos.
Em 2022, o Al Talli foi inscrito pela UNESCO na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Uma peça de roupa, portanto, também podia preservar horas de trabalho & conhecimento feminino.
Islã, cultura & modéstia: não são exatamente a mesma coisa
Existe uma distinção importante para quem deseja compreender as vestimentas emiradenses.
O Islã estabelece princípios de modéstia.
Mas não determina que um homem muçulmano precise necessariamente usar uma kandura emiradense ou que todas as mulheres muçulmanas do mundo devam vestir uma abaya no estilo dos Emirados.
Kandura, ghutra, agal, tarboosh, abaya, shayla & burqa’a também são produtos de história, geografia & cultura regional.
Um muçulmano da Indonésia, Senegal, Bósnia ou Índia pode seguir os mesmos princípios religiosos & vestir-se de maneiras completamente diferentes.
É justamente essa diferença entre religião & expressão cultural da religião que ajuda a entender por que as vestimentas variam tanto dentro do próprio mundo islâmico.
Da tradição à identidade nacional
Em 1971 nasceu uma nova federação.
Nas décadas seguintes, pequenas cidades costeiras & comunidades de oásis transformaram-se em centros urbanos conectados ao mundo.
O petróleo acelerou mudanças econômicas; educação & infraestrutura expandiram-se; milhões de estrangeiros passaram a viver no país.
Nesse ambiente, as vestimentas tradicionais adquiriram uma nova camada de significado.
Elas deixaram de ser apenas roupas transmitidas naturalmente pelas famílias & passaram também a funcionar como marcadores visuais de identidade emiradense.
A kandura & a abaya continuam evoluindo: novos tecidos, novos cortes & novas tendências surgem constantemente, sem deixar de ser reconhecidas como nacionais.
Os emiradenses descrevem essa vestimenta justamente como uma expressão de pertencimento & singularidade.
Nesse contexto, a geração do Sheikh Zayed teve enorme importância.
O projeto de construção nacional não exigiu o abandono das tradições para adotar a modernidade.
Patrimônio cultural, memória, artesanato & costumes passaram a coexistir com universidades, infraestrutura, tecnologia & urbanização.
A roupa tornou-se uma das maneiras mais visíveis de demonstrar essa continuidade.
Não existe um “uniforme emiradense”
Depois de algum tempo vivendo nos Emirados, você começa a notar diferenças.
Uma kandura pode ter outro tecido, tom, corte ou costura.
O tarboosh pode ser mais longo ou mais curto.
A ghutra pode cair de maneira diferente.
Uma abaya pode ser minimalista; outra pode apresentar bordados discretos, aplicações, texturas ou um corte extremamente elaborado.
A estação do ano, a idade, a ocasião, a profissão & a preferência pessoal também interferem.
É por isso que chamar essas roupas de “uniforme” perde justamente aquilo que as torna interessantes.
| Vestimenta masculina | Vestimenta feminina |
|---|---|
| Kandura — túnica longa | Abaya — manto externo |
| Ghutra — lenço de cabeça | Shayla — lenço de cabeça |
| Agal — cordão sobre a ghutra | Burqa’a — máscara facial tradicional |
| Gahfiya — gorro sob a ghutra | Kandura feminina — túnica ou vestido |
| Tarboosh — pendente da kandura | Thawb — sobrevestido tradicional |
| Bisht — manto formal | Sirwal — calça tradicional |
| Talli — ornamentação têxtil |
Vestimentas emiradenses: etiqueta para o visitante
Turistas não precisam usar a kandura ou a abaya para circular normalmente pelos Emirados, & mulheres não são obrigadas a cobrir os cabelos em espaços públicos comuns.
O governo recomenda vestimenta respeitosa & modesta, especialmente em lugares mais conservadores.
Nas mesquitas as regras são diferentes.
Na Grande Mesquida do Sheikh Zayed, por exemplo, as roupas devem ser longas, soltas & adequadas a um espaço de culto; mulheres precisam cobrir completamente os cabelos.
Usar uma kandura ou abaya com respeito não é, por si só, ofensivo.
Os emiradenses entrevistados sobre o assunto já destacaram que estrangeiros podem vestir roupas nacionais desde que compreendam que não se trata de fantasia ou caricatura.
& existe uma regra ainda mais simples: peça autorização antes de fotografar pessoas.
O portal oficial dos Emirados recomenda explicitamente não fotografar alguém sem consentimento.
Veja: Conheça As Regras dos Emirados Árabes Unidos | JGF TOURS
Curiosidades sobre as roupas tradicionais dos Emirados Árabes
- Nem toda kandura é branca. Tons de cinza, marrom, azul & bege aparecem especialmente durante meses mais frios.
- O tarboosh já foi muito mais curto. Fotografias antigas mostram versões pequenas & torcidas; sua forma alongou-se ao longo das décadas.
- Perfume & roupa estão conectados. O tarboosh possui uma relação histórica com a difusão de fragrâncias, algo que continua sendo reinterpretado no design contemporâneo.
- A abaya preta moderna não representa toda a história da roupa feminina emiradense. Vestidos tradicionais são frequentemente extremamente coloridos, com sobreposições & bordados.
- O burqa’a “dourado” não é feito de metal. Sua aparência vem do tecido especial, historicamente importado inclusive da Índia.
- Talli é patrimônio mundial. A técnica tradicional de ornamentação feminina foi reconhecida pela UNESCO em 2022.
- As roupas femininas podiam combinar peças que não tinham a mesma cor. Antes dos anos 1980, contraste entre thawb & kandura era uma característica comum; conjuntos totalmente coordenados vieram depois.
- O bisht comunica ocasião. Usá-lo sobre a kandura transforma imediatamente o traje em algo muito mais formal & cerimonial.
VOCÊ SABIA?
Algumas das peças que hoje parecem “antigas” continuam evoluindo. A kandura ganhou novos tecidos & cortes, o tarboosh mudou de comprimento, a abaya passou da cabeça para os ombros & depois ganhou mangas & diferentes silhuetas, enquanto o thawb & a kandura femininos chegaram a se fundir em uma única peça. Tradição, aqui, não significa imobilidade.
Quando você aprende os nomes, começa a enxergar outra coisa
Volte agora àquela primeira cena.
Um homem atravessa o lobby de um hotel usando uma kandura branca.
Antes deste artigo, talvez você visse apenas “uma roupa tradicional”.
Agora você consegue perceber a ghutra, identificar o agal, procurar a gahfiya & observar o tarboosh descendo pelo peito.
Uma mulher passa usando uma abaya.
Talvez agora você olhe para o tecido, o corte, a shayla & o acabamento, & saiba que, por baixo daquela aparência contemporânea, existe uma história de thawbs coloridos, kanduras femininas, sirwals, talli, comércio marítimo, sedas importadas & técnicas preservadas por gerações de mulheres.
É justamente isso que o conhecimento faz com uma viagem.
Ele não muda aquilo que está diante dos nossos olhos.
Muda aquilo que somos capazes de enxergar.
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A proposta é compreender também as pessoas, os símbolos, os costumes & as histórias que dão significado ao que vemos.
Porque ser mais do que um turista começa quando um destino deixa de ser apenas cenário, & passa a fazer sentido.
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